O Biólogo > A Nova Arma Contra a Dengue


A DESCOBERTA DE NOVAS TÉCNICAS DE VACINAS E O PONTO FRACO DO VÍRUS

Você já deve ter se perguntado por que ainda não foi desenvolvida uma vacina eficaz contra a dengue, não é? 
Bem, na verdade ninguém poderia lhe responder isso de maneira correta. Pelo menos até agora.
Cientistas norte-americanos descobriram o ponto-fraco do vírus da dengue, e estão trazendo nova luz sobre o estudo da criação dessas vacinas.
 Para compreendermos isso, vamos fazer uma breve análise do assunto.

O Transmissor

O principal vetor da dengue aqui no Brasil é o mosquito Aedes aegypti
Este é um mosquito de origem africana, reconhecido pela primeira vez no Egito - daí o seu nome.
No sudeste da Ásia, o principal vetor da dengue é outro mosquito do mesmo gênero, chamado Aedes albopictus.


A semelhança desses dois mosquitos é bem grande, ambos também são vetores da febre amarela. Mas como podemos perceber na ilustração, o segundo - mais comum na Ásia - possui apenas uma linha branca no tórax escuro, ao passo que o Aedes aegypti possui muitas delas. 
Pesquisas científicas descobriram que o Aedes albopictus é mais resistente do que o nosso principal vetor brasileiro, suportando temperaturas mais frias, e é suscetível a 22 tipos de vírus.

Uma breve viagem na história


Há um consenso de que os primeiros Aedes aegypti a voarem nas Américas, foram trazidos pelos navios negreiros, que traziam os escravos africanos para o Brasil. Os mosquitos se reproduziam nos depósitos de água dos barcos. A espécie rapidamente se adaptou ao clima tropical e começou a se reproduzir por aqui.

As primeiras epidemias de dengue no Brasil remontam o período colonial.  Em 1865, foi registrado o primeiro caso de dengue, na cidade de Recife. E sete anos depois, em Salvador, uma epidemia de dengue matou não menos do que 2.000 pessoas.

Nos tempos atuais, ocorreram diversas epidemias de dengue. Em Roraima, em 1981, durante um grande surto da doença, os cientistas identificaram e isolaram os vírus DEN1 e DEN4. Assim, testes com vacinas já poderiam começar a ser planejados. Porém, logo eles descobririam que existiam mais 2 variações do vírus da dengue - um arbovírus da família Flaviridae.

Em 1990, no Rio de Janeiro, isolaram a terceira variação do vírus, o chamado DEN2. E foi bem recentemente, somente no ano 2000, que os cientistas conseguiram isolar o DEN3. A partir daí a dificuldade não era apenas de criar uma vacina eficaz para o vírus da dengue, mas sim uma vacina que desse conta dos 4 tipos desse vírus.

As Vacinas


Em 2011, vacinas promissoras contra a dengue começaram a ser testadas em 5 capitais brasileiras.
Os voluntários para a pesquisa eram crianças e adolescentes de 9 a 16 anos, que moravam em áreas onde a doença estava descontrolada. Contudo, os resultados do teste foram desanimadores.

Para ter o efeito máximo, a vacina deveria ser aplica em 3 etapas, cada delas de 6 meses. Ao final de 1 ano e meio, o voluntário estaria protegido. Mas algo nos resultados não estava dando certo. Verificou-se que mesmo após tomarem todas as doses da vacina, muitos voluntários ainda estavam contraindo a doença.

Por um lado, a vacina parecia cumprir parte da proposta de proteger o voluntário, mas não o suficiente. Entre o grupo das pessoas que tomaram a vacina, houveram menos casos da doença em relação ao grupo controle. Porém, os cientistas suspeitavam que a vacina não estava protegendo contra todas as variações do vírus, como certamente era o caso do DEN2.

Enquanto isso, cientistas anunciavam outros testes promissores com uma vacina produzida a base de feijão, desenvolvida pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). O plano era colocar esta nova vacina no mercado em 2014. Mas antes, surgiu uma novidade.

O Ponto Fraco do Vírus da Dengue


Pesquisadores norte-americanos da Universidade de Purdue, descobriram o que julgam ser o ponto fraco do vírus da dengue. Descobriram que quando aquecido à temperatura do corpo humano, o vírus da dengue sofre alterações em sua estrutura, expondo "epítopos" de aparência esburacada onde facilitaria a ação dos anti-corpos do hospedeiro humano.

Essa descoberta é propícia para uma nova abordagem da concepção de vacinas contra a doença.

"A descoberta é importante porque pode explicar a razão de as vacinas contra a dengue terem sido ineficazes", disse Michael Rossmann, professor de Ciências Biológicas da Universidade de Purdue.

Até então os desenvolvedores de vacinas contra a dengue, aplicavam suas pesquisas apenas para vírus de aparência lisa, conforme os encontrados nas temperaturas mais frias do corpo do Aedes aegypti.

A forma irregular do vírus fica presente quando ele entra em contato com o corpo humano.

"As vacinas de vírus da dengue ideais devem induzir anticorpos que reconheçam os epítopos expostos dessa forma", disse Rossmann em comunicado divulgado pela universidade.

Os resultados nas pesquisas da equipe da Universidade de Purdue está publicado na versão online da revista "Proceedings", da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

Abre-se aí um novo leque de armas na luta contra a dengue.

Veja mais:
Novo tipo de vírus dengue descoberto em 50 anos
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Fontes:
Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of América
Revista Saúde (Editora Abril)
Jornal O Globo         

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