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Ações Humanas que Ameaçam a Terra
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Imagem: João Freitas Filho

Introdução

Há alguns dias, enquanto pesquisava sobre anfíbios em extinção para uma futura postagem, li uma reportagem publicada no jornal O Estado de S.Paulo, de 2011. A notícia me chamou atenção. O texto de Karina Ninni trazia um alerta, nunca tão atual, sobre ações humanas que ameaçam a terra.

Tomei a liberdade de fazer uma adaptação desse texto da Karina acrescentando algumas pesquisas, alguns dados atualizados e um pouco de conhecimento próprio. 

O objetivo desta postagem é trazer ao leitor interessado no mundo da biologia um pouco mais de conscientização ecológica e compreensão sobre o tema.

Inimigos do Meio Ambiente

Além do ciclo do carbono, outros sistemas estão sendo modificados pelo homem em patamares que desafiam a capacidade do planeta de prover os recursos que usamos.

A falta de oxigênio na água doce, o branqueamento de corais nos mares, a inclusão de poluentes químicos na cadeia alimentar, o esgotamento dos recursos hídricos, a diminuição da capacidade dos oceanos de fixar carbono, os deslizamentos de terra, o derretimento das calotas polares... Todos esses acontecimentos são derivados da maneira como os humanos têm utilizado o planeta Terra.

Boa parte desses fenômenos tem sido atribuída ao ciclo do carbono e ao aquecimento global. Ambos decorrentes das ações humanas sobre o meio.

Por isso, Johan Rockström, diretor-executivo ligado a questões ambientais, fez um mapeamento e estabeleceu nove "fronteiras" de atuação humana, ou seja, nove ações humanas que deveriam ser limitadas para que não obtivéssemos graves prejuízos futuros. Segundo Rockström  as áreas que mereciam atenção eram:
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  1. Perda da Biodiversidade
  2. Lançamento de Aerosol na Atmosfera
  3. Poluição Química
  4. Mudança Climática
  5. Acidificação dos Oceanos
  6. Redução da Camada de Ozônio
  7. Ciclos do Nitrogênio e do Fósforo
  8. Consumo Global de Água
  9. Mudança no Uso do Solo
Para seis delas, os cientistas sugerem limites de intervenção e concluem que, em três dessas fronteiras, nós já ultrapassamos os limites. São elas:
  1. Perda da Biodiversidade
  2. Ciclo do Nitrogênio
  3. Mudança Climática
"As fronteiras definem os limites seguros para a ação humana e estão associadas aos processos e subsistemas biofísicos do planeta", afirma o cientista. Seu artigo A safe operating space for humanity ("Um espaço operacional seguro para a humanidade", em tradução livre), foi tema de um evento no mês passado na University College London, na Grã-Bretanha, às vésperas da 17.ª COP, em Durban, África do Sul.

Quais são nossos limites?

Rockström constatou que cada uma dessas urgências ambientais se conectavam com outra e mais outra. A constatação dessas conexões entre as fronteiras levou Rockström e seus colegas a estipular limites para as operações humanas. Mas, em alguns casos, segundo especialistas, esses limites não se aplicam.

PERDA DE HABITAT, POLUIÇÃO E ESPÉCIES EXÓTICAS
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A extinção de espécies é natural e aconteceria mesmo sem a intervenção humana. Mas está ocorrendo de forma acelerada: a taxa de extinção está entre cem e mil vezes maior do que seria natural. Os vilões são a perda de hábitat, a poluição e as espécies exóticas. Hoje, estão ameaçados de extinção 25% dos mamíferos, 12% das aves, 25% dos répteis, 20% dos anfíbios, 30% dos peixes e 12,5% das plantas.

Limites propostos: O estudo propõe uma taxa de extinção de até 10 espécies por milhão ao ano. Atualmente, perdemos mais de cem.

CHUVA ÁCIDA, EFEITO ESTUFA E MORTANDADE

mortandade, peixes, ecologiaO excesso de nitrogênio tem desdobramentos como aumentar a quantidade de nutrientes nas águas doces (provocando morte dos organismos). Sua interação com o oxigênio forma os óxidos de nitrogênio, que aumentam o efeito estufa. Reagindo com o hidrogênio, induz a ocorrência de chuva ácida, que pode corroer estruturas de metal e concreto nas cidades e interferir nos cultivos agrícolas no campo.


Limites propostos: Sugere-se a retirada de 35 milhões de ton/ano de N2 da atmosfera para uso humano. Hoje são retiradas 121 milhões ton/ano.

FOGO E DESMATAMENTO
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O Protocolo de Kyoto não considera emissões oriundas de queima de biomassa, somente aquelas derivadas de processos industriais. Mas, no Brasil, cerca de 75% das emissões são derivadas de queimadas e desmatamento. Esse tipo de emissão modifica o clima local e as características da vegetação "de contato", aquela que restou nos arredores do que foi retirado. Ela fica mais suscetível a incêndios.


Limites propostos: Hoje as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera são as maiores da história, atingindo 400 partes por milhão (ppm), o que não acontece há 3,5 milhões de anos. O estudo propõe 350 ppm. (Veja recente matéria)

MARES MAIS ÁCIDOS PREJUDICAM CORAIS
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A acidificação dos oceanos é um processo que vem se acentuando conforme aumenta a concentração de carbono na atmosfera. Quando o CO2 se dissolve na água do mar, ele forma o ácido carbônico, tornando a água mais corrosiva. Quem mais sofre com a acidificação são os organismos como corais, moluscos e conchas.

Há pouco tempo, cientistas iniciaram proteção aos recifes de corais das profundezas, pois descobriram que estes podem ser a salvação caso os recifes de águas rasas não suportem o CO2 dissolvido no oceano. (Confira em nosso post recente)

Limites propostos: Os cientistas sugerem que o nível de saturação de aragonita (forma cristalina do carbonato de cálcio) na superfície do mar seja de 2,75. Hoje recifes de corais são encontrados em lugares onde a saturação dos oceanos atingem níveis de 3,5 ou superior. Hoje, isso é cerca de 50 por cento dos oceanos no mundo a previsão é que no fim do século 21, é de que sejá inferior a cinco por cento. As ilhas havaianas, que ficam apenas no extremo norte dos trópicos, será um dos primeiros lugares a sentir o impacto desse desequilíbrio. (Veja recente matéria)

BIODIVERSIDADE GARANTE ÁGUA POTÁVEL

biodiversidade, água, ecologiaAs matas ciliares são as grandes responsáveis pela qualidade da água potável do mundo. Estima-se em 1,35 milhão de km3 o volume total de água na Terra. Desse total, 2,5% é de água doce, mas que se encontra em geleiras ou aquíferos de difícil acesso. E 0,007% é de água doce encontrada em rios, lagos e na atmosfera, que representa o que podemos realmente usar.


Limites propostos: Calcula-se que a humanidade use hoje cerca de 3,5 mil km3 de água por ano. O estudo propõe um teto de 4 mil km3/ano. (Aprenda a economizar água)

PARTÍCULAS DE AEROSSOL AFETAM CHUVAS
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A quantidade de aerossol na atmosfera (partículas suspensas oriundas das atividades humanas e dos processos naturais) afeta diretamente a ocorrência de chuvas. O excesso de aerossol diminui a incidência pluviométrica e faz as gotas de chuva ficarem menores, às vezes evaporando antes de chegar ao chão. Os processos naturais de geração do aerossol estão associados com a ação do vento no solo e nas rochas, no mar, e ainda com vulcões e queimadas.

Limites propostos: Não há limites mínimos ou máximos de aerossol na atmosfera. (Vídeo recente mostra a dispersão de aerossóis na Europa)

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O texto original pode ser encontrado em http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,nove-acoes-humanas-que-ameacam-a-terra,766403,0.htm.


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