Desextinção: A reintrodução de espécies extintas

"Descongelado a Caminhar na Sibéria"

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A ideia já foi muito usada na ficção científica e não é de hoje que os cientistas vêm trabalhando nisso. Mas recentemente novas descobertas tecnológicas abriram caminhos reais que possibilitam a chamada "desextinção" de espécies, ou seja, trazer de volta espécies de animais já extintas.
Nos últimos meses o assunto ganhou os noticiários, se popularizou, e ganhou aprovadores e críticos.

 A polêmica gira em torno de conceitos éticos, morais, religiosos e ecológicos. É legal trazer um animal extinto de volta à vida? Quais as consequências ecológicas? Como seria a convivência com esses animais? É seguro? Há um ecossistema para abrigar a espécie que queremos reintegrar? Como as principais instituições religiosas irão lidar com isso?

Desextinção
O tigre-da-tasmânia (extinto em 1930), o dodo e o mamute são apenas algumas das espécies que foram varridas da Terra devido a mudanças ambientais e/ou atividades humanas.

Agora, os avanços na biotecnologia pode permitir aos cientistas para trazer de volta estes e outros animais. Mas os críticos argumentam que a prática prejudicaria os ecossistemas atuais, além ressuscitar criaturas que não poderiam se adaptar para sobreviver na natureza.

desextinção
Em 2003, biólogos trouxeram de volta um íbex-dos-pirinéus clonando tecidos congelados colhidos a partir da última destas cabras. O clone morreu poucos minutos depois do seu nascimento, devido a uma deformidade do pulmão, mas a experiência provou que a "desextinção" era possível.

Segundo o ecologista Stanley Temple, da Universidade de Wisconsin-Madison, a controvérsia surge quando começamos a falar sobre a desextinção de espécies que foram extintas há um período muito longo de tempo. É aí que as críticas se acentuam.

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Ressuscitando o Pombo-passageiro

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O pombo passageiro encheu os céus da América do Norte em rebanhos de milhões de indivíduos durante o século 19. Mas a caça e a destruição do habitat dirigiu os pássaros à extinção. O último pombo-passageiro do mundo, chamado Marta, morreu em 1914 no zoológico de Cincinnati, em Ohio.

Mas e se os cientistas pudessem trazê-los de volta?
O escritor e ambientalista Stewart Brand, fundador da Whole Earth Catalog, e sua esposa Ryan Phelan (dona da empresa DNA Direct), juntamente com o biólogo de Harvard George Church descobriram uma possível maneira de reviver os pombos-passageiros.

Segundo eles, você não pode simplesmente clonar uma espécie de pombo-passageiros de um museu, porque eles já não têm genomas totalmente intactos. Mas pode haver uma outra forma: usando fragmentos de DNA do pombo, os cientistas podem sintetizar os genes para certos traços e unir em conjunto os genes no genoma de um pombo-comum (espécie cujo genoma é bem semelhante).

As células que contêm o DNA pombo-passageiro poderiam ser transformadas em células que produzem óvulos e espermatozoides, que poderiam ser injetados nos ovos do pombos-comum. Os pombos que nascessem ainda seriam pombos-comuns, mas sua prole teria DNA semelhante aos pombos passageiros. Os cientistas poderiam então produzir estas aves e selecionar para características específicas, assim como fazem os reprodutores de cães, "apurando" a raça. A prole resultante teria muito mais características do pombo-passageiro.

Mas essa não é a única espécie extinta que os cientistas estão pensando em reviver.

Ressuscitando o Mamute

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Outros cientistas querem trazer de volta um animal que vagueou a terra centenas de milhares de anos atrás: o mamute-lanoso.
Mamutes bem conservados foram escavados na tundra siberiana contendo medula óssea, pele, cabelos e gordura. Se uma célula de mamute vivo for encontrada, pode ser cultivada em um laboratório e induzidas a formar um embrião. O embrião pode ser implantado para o parente vivo mais próximo dos mamutes, um elefante, o que daria à luz um bebê mamute.

Encontrar uma célula de mamute vivo é muito improvável. Mas o sul-coreano Hwang engenheiro biomédico Insung, espera encontrar apenas um núcleo da célula e produzir um clone dele, como foi feito com a ovelha Dolly. O núcleo seria implantado em um óvulo de elefante, cujo núcleo foi removido.
Neste link você confere 5 desafios éticos para trazer o mamute de volta à vida: http://www.livescience.com/40263-ethics-of-bringing-mammoth-back.html?cmpid=545419

A Imagem abaixo mostra os diferentes tipos de técnicas que têm sido pensadas para trazer de volta o Mamute do mundo dos mortos.

(clique na imagem para ampliar)
mamute clonagem extinção desextinção

Obstáculos e Barreiras

Os desafios não são insignificantes. Mesmo se os pesquisadores conseguirem criar um mamute, pombo passageiro ou outra criatura extinta, ela tem que sobreviver na selva. Isto significa ter o direito à alimentação e habitat, além de terem de aprender a conviver na natureza e iludir os predadores - especialmente humanos.

Os críticos da "desextinção" dizem que reviver animais extintos seria má ideia, pois desestimularia o Congresso quanto à questão de proteger habitats de espécies que estão ameaçadas.

"Eu não acho que tem algum mérito em tudo", diz a ecóloga de conservação Stuart Pimm, da Universidade Duke, NC. "A maioria das espécies estão sendo extintas em florestas tropicais. Salvar uma espécie através de de-extinção, enquanto os humanos estão queimando as florestas e destruindo comunidades nativas é cômico", disse ela.

O biólogo David Ehrenfeld de Rutgers, The State University of New Jersey, concorda que a desextinção atrapalharia o processo de conservação de espécies: "O pombo-passageiro era um pássaro muito social conhecido por formar rebanhos de milhões de indivíduos. Quando sua população diminuiu para alguns milhares, os pássaros pararam de procriar", disse. "Métodos de desextinção produziria apenas uma pequena porção de pássaros. Assim, quem poderia dizer que eles iriam se reproduzir?"

Ressuscitar uma criatura como o pombo-passageiro ou o mamute tem um forte apelo para a imaginação do público, mas muitas barreiras ainda têm de ser vencidas.
Muito ainda será discutido antes que uma espécie seja reintroduzida, mas podemos dizer que essa tecnologia já existe e pode ser usada para evitar que mais espécies deixem de existir para sempre. De qualquer forma, trata-se de uma tecnologia cara e que ainda está em fase de testes.
O que não podemos deixar de lado é o nosso principal investimento: proteção e conservação das espécies atuais e seus habitats naturais.

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2 comentários:

Anônimo disse...

Sonho um dia ver espécies em extinção vivas. Principalmente quando se trata do Dodô, do mamute, do Tigre Dente de Sabre ou do próprio dinossauro. Parabéns pelo texto. Maravilhoso. Abrindo mais a minha curiosidade.

Túlio-GO

Anônimo disse...

Meu deus. Tenho 27 anos e espero estar viva quando a ciência conseguir realizar este feito.Quem é fã de Jurassik Park sabe bem do que estou estou falando.. É o minimo que podemos fazer, como um pedido de desculpas por ter acelerado este processo maldito: a extinção dos animais.

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